sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

revolver coração






revolver coração

Uma árvore florida vez em quando voa
ao ninho a algum sorriso d'um talvez
pergunta à qualidade dos porquês
sobra o fado quando tanto veste
manto da certeza em negação
à resposta revolvida de
antemão esquecida e
confiada ao coração




terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

popcorn pipoca laroca.







Popcorn picoca laroca.

ordas turvas pestanejos matagais
humedecidos pólen dos pinheiros
alergia parecida à minha possa ver
o palco de tantas questões
polastros quantos queiras 
eleve torneiras de fogo.

Quem te viste pantera 
fixo olhar a sexo violento.
doce tontura alguém
me acuda
traz cura feiticeiro
bruxedo
mau olhado bom bocado

adulterado o termómetro.






sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

mulher senhora







mulher senhora

Longa leva vida cheia
de sabores e dissabores
mulher d'Homem scem de si.

Orgulhosa não fazer mais cara feia
sorri só de esperança à mocidade
força e meia dar-lhes volta que eles
não podem volta e meia.

Avó mulher senhora mãe
Importa não-me qual idade
Cristos cruel masmorra deles
Que na prosa traz vaidade.

Liberta sejas sem ter peso
A não ser o da barriga
Há quem zele recomeço
E que oiça o que bendiga.






falências







falências

Lojas fecham
falências
famílias separam
falências
crianças fomem
falências
velhos comem
falências
trabalho disputa
falências
comida dignidade
falências
todos comem
falências
gentes fomem
falências
sofres sobem
febres homem
falências
gentes fomem.







quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

fil me fixe







fil me fixe

Dói de lúcido na dor, respeitável
embriagado da droga da dúvida
cheio de certezas sem saber pega 
a causa como efeito que ela é é amor 
e mágoa e trampolim e tempestade.

A lucidez na dor é sublime e liminar
como de quem não quer lavar a cara
sem antes lavar as mãos da camisola
que se veste sem ser por companhia.

Dizer não sei que é quanto basta
pedir perdão a quem se afasta
jazer de medo de viver é comum 
senso em contra-senso podes ver
televisão, jogar computador ir 
a um desfile de moda e um fil
me fixe.







sábado, 15 de fevereiro de 2014

Sugestão (música - Syd Barrett - Barrett - "Rats" e "Effervescing Elephant")

Privilegiadas gravações que temos à disposição, Syd Barrett permaneceu por cá na mais profunda pegada a cada play. Ao grau a que envolve basta-se bastante despido.

RATS

Got it hit down
spot knock inside a spider
says: "That's love yeah, yeah, yeah, yeah!"
"That's love yeah, yeah, yeah, yeah!"
says: "That's love - All know it
TV, teeth, feet, peace, feel it...
"That's love yeah, yeah, yeah, yeah!"
"That's love yeah, yeah, yeah, yeah!"

like the fall that brings me to
I like the fall that brings me to
I like the cord around sinew
I make a cord around sinew

Duck, the way to least is less
The deep craving of the metal west
'ell tomorrow's rain and test
'ell tomorrow's rain and test
Love an empty sun and guess
Love an empty sun and guess
dimples dangerous and blessed

Heaving, arriving, tinkling
mingling jets and statuettes
seething wet we meeting fleck
seething wet we meeting fleck
lines and winds and crib and half
each fair day I give you half
of each fair day I give you half
I look into your eyes and you,
flathe in the sun for you...

Bam, spastic, tactile engine
heaving, crackle, slinky, dormy, roofy, wham
I'll have them, fried bloke
broken jardy, cardy, smoocho, moocho, paki, pufftle
sploshette moxy, very smelly,
cable, gable, splintra, channel
top the seam he's taken off

rats, rats lay down flat
we don't need you, we act like that
and if you think you're un-loved
then we know about that...
rats, rats, lay down flat!
yes, yes, yes, yes, lay down flat!

http://www.pink-floyd.org/barrett/sydlyrics.html (letras do Álbum Barrett)

http://www.youtube.com/watch?v=IvzW2jZGD-Y (Rats)

http://www.youtube.com/watch?v=zHRm6yWHyNk (Álbum Barrett)





An Effervescing Elephant
with tiny eyes and great big trunk
once whispered to the tiny ear
the ear of one inferior
that by next June he'd die, oh yeah!
because the tiger would roam.
The little one said: "Oh my goodness I must stay at home!
and every time I hear a growl
I'll know the tiger's on the prowl
and I'll be really safe, you know
the elephant he told me so."
Everyone was nervy, oh yeah!
and the message was spread
to zebra, mongoose, and the dirty hippopotamus
who wallowed in the mud and chewed
his spicy hippo-plankton food
and tended to ignore the word
preferring to survey a herd
of stupid water bison, oh yeah!
And all the jungle took fright,
and ran around for all the day and the night
but all in vain, because, you see,
the tiger came and said: "Who me?!
You know, I wouldn't hurt not one of you.
I'd much prefer something to chew
and you're all to scant." oh yeah!
He ate the Elephant

mais me fiz







mais me fiz

Hipnotizado sinto-me viajante 
ao 
bom sabor de me sentir com 
moderada vontade de sorrir
pensativo desconfiado mim 
mesmo também assim feliz.
Se eu já o quis já o sofri e
tanto quanto mais vivi
mais sim me 

fiz.






quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O futuro na borra






Futuro na borra

Mas será que no café ficava
claro castanho escuro borra
humedecida história entrete-
cida mística de uma vida ou
de um amor ou dor de amor
de forma em flor floresta de
espinhos sangue amarelo
viajem no rosa que te que-
ro possa mel de água e
sal rosto rasgado elogio
frio desalento e não sei
sequer se a leste que 
belo que seria sorriria

de lágrima no canto.






quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

aquem demim gosta





aquem demim gosta

O porquê deste poema é
algo que não vale a pena
pergunta grande pequena
resposta dagora em diante.
De maneiras que sei querer-
vos bem a modos meus em
poemas cem não haja quem
se queixa "ai ele desleixa" o
meu carinho e afeição prova
disso é que te escrevo cedo
que tarde não podia e de que
outra forma saberia melhor?
S'a dor sorri porreira malha
obra vossa que se amanha
vegetativa queimação arranha
só aceita o vosso não sem
manhas espero bem retribuir
façanha hercúlea musculosa
a quê esconder o meta-choro?
Dizer lembrar-me mentiria
muitas vezes gente minha
quanto a voz me desatina
o pensamento só me foge
e não lhe guardo tal prisão
que é liberdade na solidão
contínuo medo do papão
que nunca usa a mesma
cara moeda reembolso
em verso os teus poemas
escritos n'acto reiterado
de tremenda consideração
de nenhum em especial
mente aberta desarrumada
cantação multi-focada de um
coeso coração tocado por
vosso poema q'aqui vês.
Em modos de nota ao meu
olá desconhecido se te
toca o que eu te digo
penso animar-te-ei
com a mesma oferta
e a mesma festa q'a
outros cá pintei.




terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Floreva





Floreva

Esta árvore está floreva
é como quem diz cheia
de nuances amareladas
e de todas as outras cores.

Floreva também é cheiros
e sonidos de sabores mas
ainda hão-de inventar um 
dia mais um rô de sensações
que floreva é em qualquer dia
sem partido de estações que 
floreva é em toda a parte e
cabe em quaisquer corações.



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Lareira




Lareira

Sou bonsai junto ao lume
a tábua chora pela metade
queimada e lamenta agonia
uiva qual lobo amordaçado
julgo prisioneiro o aprisionado
concentro a atenção mais um
bocado de tensão no peito
ansioso sou água que evapora
só muda a forma mais um que
chora menos um que agora ri



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